terça-feira, 9 de novembro de 2010

Na briga entre Google e Facebook perdemos todos

Ao anunciar semana passada a mudança na API para importação de contatos do Gmail, atingindo em cheio o Facebook, a empresa Google expôs publicamente a batalha feroz que vem sendo travada na internet pelo controle da identidade dos usuário na rede. Há quem diga que o Facebook a vem vencendo com facilidade, com o seu serviço de conexão, que faz com que automaticamente compartilhemos nosso perfil sites parceiros.
E é justamente aí que a porca torce rabo. Tal facilidade, acusa o Google, só funciona entre os parceiros do Facebook. Com todos os outros, é uma via de mão única: venha a mim e ponto. Reciprocidade zero. Se você também é um usuário do Twitter ou do Google Buzz e quer descobrir qual dos seus amigos do Facebook também usam esses serviços, o Facebook não deixará que você descubra a partir do próprio Twitter ou do próprio Buzz.
A questão é que a cartilha do venha a nós o vosso reino, controlando cada dádiva que possa dar em troca, pondo tudo para dentro de sua plataforma, limitando a saída, vem sendo praticada por todos. Inclusive para própria Google, duramente critica por isso na época do lançamento do Google Buzz.
Ninguém é melhor na sua execução que a Microsoft. Basta ver os atuais serviços Live, incluindo o novo Messenger. Parceiros, Facebook e Microsoft têm um histórico de bloqueio de seus rivais e, até agora, não foram seriamente desafiados.
De fato, Google, Microsoft, Facebook, Twitter, todos vêm se dedicando, em maior ou menor grau, à construção de ferramentas de importação e exportação para os usuários que, preto no branco, vendem uma falsa ideia de liberdade ao retirarem de nós, usuários, o controle absoluto sobre nossa identidade virtual.
Screen shot 2010-11-07 at 1.23.39 PM
Ganhariam mais, na minha opinião, se percebessem claramente que, do ponto de vista dos usuários, rede social é troca. É diversidade. É alargamento de fronteiras. Entender esse dinâmica poderia potencializar o mercado sobre nossas identidades. Monopolizar é torná-lo menor, menos rico, menos promissor.
O Google tem motivos de sobra para cobiçar a rica mina de dados dos usuários escondidos atrás das paredes do Facebook. Que tem motivos de sobra para cobiçar os dados dos usuários do Google, do Bing, do Twitter, etc. Cabe a nós decidir deixar que conexões poderão explorar. Cada qual a sua maneira, através da oferta de serviços que agreguem valor também para os usuários, e não que retirem facilidades.